1.6.16

Meu querido mês de Maio

 

Tem sido intenso, sobra-me pouco tempo para registar a vida de outro modo que no coração. Fotografo com o olhar, com o telemóvel só quando calha. A vida acontece a um ritmo mais acelerado. Durmo menos, descanso menos. Este mês porém saí mais de casa, o tempo convida e ela só está bem na rua. Adora passear e eu aproveito qualquer pretexto, vamos buscar o mano, vamos às compras, lanchamos com a avó à Terça na Padaria Portuguesa como quando ela ainda estava na barriga. (Descobri um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que devia ser proibido). À Quinta vamos à fruta feia. Vou pesá-la à Farmácia, vou fazer recados. Este mês fui todos os dias à ginástica, meia hora à hora de almoço só para mim e que me soube tão bem. Ela exige muita atenção, só quer colo, mama, mimo. Ri-se imenso, gargalhadas boas e grandes, e faz barulhinhos quando quer conversa. Derrete-se com o mano, gosta dos beijos dele (e ele dá tantos!!!!) e ri-se para as irmãs para o pai e claro para mim. É um namoro pegado todo o dia, às vezes ainda acho que é mentira de tão bom que é. Mas também chora muito com as cólicas (malditas!) e com os soluços que não gosta. Continua a ser só maminha, apesar de ter tido uma fase de dúvidas que já passou. Recomendo este texto e este sitio a outras mamãs. Continua a aumentar bem de peso e à mãe continuam a faltar 3 Kg para o peso ideal (não tenho pressa). A Constança já dorme 5 e 6 horas de noite quase sempre mas continua a demorar a adormecer.

Este mês fez anos a avó Cila, a irmã mais velha Marta e nós. Quatro anos da melhor decisão (e mais complicada) da minha vida. Reforço tudo o que disse aqui, agora a três. É bom celebrar, agradecer e há tanto para agradecer. Já não saberia viver de outra forma até porque nunca antes vivi como agora.

Temos almoçado fora algumas vezes, tem corrido bem. As cólicas atacam mais ao fim do dia. Matei saudades de marisco em Carcavelos com vista para o mar e continuo a matar saudades de Sushi.

Tenho apanhado flores no jardim, e nos passeios que damos e no outro dia comprei no AM Frutas, dois ramos enormes por 2€. Trouxe cogumelos biológicos e nozes, mas o Carlos não gostou dos cogumelos. 

Pelo correio têm chegado livros de passatempos, mas não tenho tido tempo para concorrer. Recebemos também um babete lindo da Napkid que tenho a certeza acompanhará a Constança em muitos momentos. Têm o turco maior que o normal e são lindos, vale a pena espreitar. 

A semana passada também chegou um Bolo de Arroz especial da minha querida Graça Paz, que eu e o Afonso adorámos. Quando renovar a cozinha do anexo (para breve se Deus quiser) vai para lá morar.

A Constança adora o baloiço, e andar de um lado para o outro no jardim. Muitas vezes vou com o carrinho lá para fora e ficamos a ouvir os passarinhos. Fui com ela ao Summer Market Stylista com uma amiga e o filhote e ela portou-se tão bem. Rendi-me a duas marcas com coisas lindas e com muita qualidade mas sem preços exorbitantes, a Dot e a Lavandiska.

Quando estamos sem miúdos conseguimos ver um filme ou outro, sobretudo durante o dia. Arranjámos uns na Feira da Bagageira de Oeiras por 0,50€. Tão cedo não voltaremos a ir ao cinema.

Entretanto os testes voltaram, bem como o estudo e os trabalhos. Ajudei a Mafalda a construir um castelo dos Mouros, ela já sabe que pode contar com a Vani, mas depois entusiasmei-me e já queria colocar iluminação LED por dentro, o Carlos é que travou a coisa. Tiveram um saurau de karaté, Mafalda e Afonso e a Constança aguentou três horas de música alta, palmas e buzinas sem acordar. 

A febre do Angry Birds chegou cá a casa, há cromos e autocolantes por todo o lado. Arranjei uma T-Shirt muito gira destes bonecos para o Afonso no Leclerc, onde também encontrei alpercatas a um preço simpático. Para o dia da criança também pediu uns All Star e já tivemos de ir à secção de adulto porque já calça o 35. É certo que ele pede sapatos como os da mamã, mas daqui nada calça mesmo os meus :).

15.5.16

1 mês de Constança


No Domingo passado a Constança fez um mês. Não dei pelos dias, nem pelas horas. Foi tudo rápido demais. Os miúdos quiseram festejar, fazer um bolo, cantar parabéns. Fizemos uma receita de bolos com números que vinha na revista da Bimby que a minha mãe tinha trazido essa semana. A cobertura leva queijo e chocolate branco, e tem tanto de bom como de calórico. Nesse dia uns amigos visitaram-nos e fomos tomar café ao Parque. Os miúdos jogaram à bola e brincaram, nós apanhámos sol e descontraímos. Sabe bem aproveitar o sol nos intervalos da chuva. Da feira de antiguidades que estava no parque trouxemos livros de histórias giros por 1€, para lhes lermos à noite. 

Com um mês a bebé Constança pesa 3750 kgs e mede 51 cms. 

13.5.16

Três para quatro semanas - bebé Constança

 


Estamos as duas durante o dia, num namoro absoluto. Das três para as quatro semanas a Constança parece que duplicou. Tem bochechas, tem refegos. Fui pesa-la à farmácia entre consultas, continua em exclusivo a leite materno. Adoro amamentá-la, é tão especial. Dorme mais horas mas também tem mais cólicas. Tentamos tudo para a ver feliz. Esta semana experimentámos a banheira Shantala e demos gotinhas na chucha de Aero-Om, fizemos massagens (muitas) e até cantámos (não que isso ajude em alguma coisa mas distrai-a). Ela adora o banho, o colo dos irmãos, o mimo. Adora estar ao peito, ouvir o meu coração. E esta semana começou a andar literalmente colada a mim no Kanguru. Vamos buscar juntas o mano à escola, vou pô-lo sozinha de manhã (o seu momento de «filho único» do dia). 

Tenho feito poucos DIY, uns sacos de alfazema para o roupeiro dela e pouco mais. Não me sobra tempo. Entre consultas e pesagens, e o exame acústico, e o meu dentista e as minhas consultas pós-parto, entre os irmãos, as actividades, os TPC, a maminha de 3 em 3h e a casa o tempo voa. 

Continuam a faltar-me 3kgs para o meu peso, continua a não me apetecer comer carne e faz-me falta para evitar a anemia. Só me apetece peixe grelhado todos os dias, couscous, marisco, sushi, abacate, capuccinos da Dolce Gusto e torradas em pão integral. E chocolates e pasteis de nata mas tenho controlado. 

12.5.16

A Constança e a dinâmica das relações


No Sábado passado a Mafalda tinha uma festa de anos no bowling. O Afonso quis jogar também mas não é da turma da Mafalda pelo que não tinha sido convidado para a festa. O Carlos tentou arranjar uma pista mas não havia qualquer hipótese, estavam lotados. Os pais do Dudu, o aniversariante, depressa incluíram o Afonso no grupo, que ainda por cima é colega do karaté e conhecem perfeitamente. A Mafalda depressa apresentou o Afonso como seu irmão. Isto aconteceu um mês depois da Constança nascer, até então era apenas o filho da namorada do pai, um amigo, um irmão emprestado quando muito. 

Muitas vezes me questionei se o Afonso e as meninas manteriam o contacto depois de já não andarmos por cá. Elas estão presentes nas memórias dele desde bebé mas nada os liga consanguineamente. 

Ainda me lembro quando começámos a namorar termos ido a um evento para crianças e eu andar a brincar com os miúdos e a televisão nos vir entrevistar. Quando perguntaram à Mafalda se ela se estava a divertir com a mãe ela respondeu muito rápido em directo: Ela não é minha mãe ;) - com toda aquela sinceridade directa que caracteriza os miúdos. Ao início os miúdos explicavam tudo - quem era irmão pai e mãe - com o tempo deixaram de dar satisfações. É normal quando saímos todos juntos pressuporem que somos todos de uma mesma família e que eu, valente moça, serei a mãe dos quatro. Já não ligamos. Afinal somos uma mesma família sim senhora, a nossa, a que construímos. 

É engraçado no entanto perceber que para eles as coisas mudaram. Neste momento somos uma família efectivamente porque a mana é de todos. A Constança é um elo comum. 

O tempo não é igual cá em casa entre cada um. As meninas estão connosco às Terças para além do fim-de-semana do pai, e a Mafalda ainda vê o Afonso no karaté às Segundas. O Carlos ainda a leva às Quartas e Sextas. O Afonso também tem os seus dias com o pai. Mas é bom sentir que temos os nossos dias todos juntos que fazem falta e fazem agora mais que nunca todo o sentido. Como fortalecer os elos entre irmãos se assim não for?

Nos primeiros dias após o nascimento da Constança, com o pós-parto de cesariana a gestão fez-se difícil, mas entretanto tudo se ajustou. Vai ser bom ver a relação dela com os irmãos florescer e a nossa dinâmica enquanto família mudar. Haja o que houver ela será para sempre irmã dos três.

11.5.16

Dia da mãe (com atraso)


Este foi o primeiro dia da mãe com os dois e por isso mesmo foi muito especial. Seguido de uma semana difícil com o Afonso internado e carente de atenção em que para além de mãe me senti um género de super mulher. Apesar do final de tarde atribulado e das tentativas tolas de me arruinarem o dia, sabemos, sentimos, que o amor vence sempre. E terminámos com mimos mais que muitos, fotografias lamechas e pizza. O almoço foi com a minha mãe e avó, mimei-a muito (e ela a mim com o bacalhau que eu adoro) que ela bem merece. 

Na Segunda-feira houve pequeno-almoço com as mães no Colégio e a Constança foi connosco e portou-se tão bem. 

8.5.16

Gente bonita come Fruta Feia



Finalmente fazemos parte desta família. Ao fim de um ano e meio em lista de espera somos finalmente sócios da Fruta Feia, um projecto que visa combater o desperdício alimentar reaproveitando aquela fruta menos bonita que fica fora do circuito de vendas tradicional por não ter as medidas ou especificações certas. Pela quota anual pagamos 5€ e recebemos um saco catita da Fruta Feia para transporte. Semanalmente podemos escolher entre o cabaz pequeno que custa 3,50€ (com 3 a 4 kgs e 5 a 7 variedades) ou um maior 7€ (6 a 8 kgs e 7 a 9 variedades). A fruta e vegetais são vendidos em cabazes semanais a preços simpáticos distribuídos em determinados locais. Os cabazes não vendidos vão para a Refood. Não podíamos estar mais felizes com isto, a fruta é optima e de feia não tem nada. Semanalmente vamos buscá-la à SMUP, uma associação linda que foi recentemente reconstruida com verbas do Orçamento Participativo de Cascais. Na antiga SMUP fizemos muitas festas de natal do Pinheirinho. Foi também palco de muitas tardes de snooker quando eu era adolescente e estudava no Colégio Portugal. Mais tarde e já na Faculdade fiz lá teatro e fui bailarina. É com muito orgulho e nostalgia que vejo a nova SMUP de cara lavada e cheia de projectos giros. Adoro ver a Parede reinventar-se.  ´

Pelo correio chegou um kit giríssimo da Compal Veggie. E os miúdos quiseram logo experimentar e aproveitaram as ementas para brincar aos restaurantes. Esta é uma forma alternativa de introduzir vegetais na alimentação. Junto ao kit vem um livro de receitas para fazer cocktails. 

Por estes dias também comprámos tomateiros no Lidl que plantámos junto com os morangueiros na nossa horta vertical. Pelo correio também chegaram as sementes das Heinz que plantámos em caixas de ovos vazias e que estão num género de despensa estufa a crescer. Vai ser o ano dos tomates nesta casa. No jardim o limoeiro ameaça (finalmente!!!!) dar limões e eu nem acredito que vou ter finalmente o meu primeiro limão!!!

29.4.16

Um 25 de Abril diferente do que estávamos à espera

O meu amor crescido recebeu com tanta alegria a mana mais nova. Ela trouxe-lhe um CD com músicas que ele gosta mas trouxe com ela muito mais que isso. Ela é o presente. Carinhoso quer participar em tudo, penteá-la, vesti-la, quer vê-la sempre, enchê-la de beijos a toda a hora mesmo quando está a dormir. Diz que a ama. Pergunta-me se ela sabe disso. Dá-lhe a sua bochecha para ela lhe retribuir os beijos. Sente beijos dela (é o único até agora :) E ela abriu pela primeira vez os olhos ao ouvir a voz dele. 

E o Dengaz também tem uma andorinha tatoada na mão. E por cá já pendurámos a nova andorinha à porta. E o Afonso só me fala em acrescentar a mana antes do dia da mãe, que era a prenda deles. 

E chega o dia 25, o dia em que ela devia ter nascido, o nosso dia tão querido e almoçamos frango assado para matar saudades e ele quer um gelado à tarde mas diz que dói a barriga. Depois bebe água e diz que está mal disposto e vomita. E depois vomita outra vez e outra, e muitas outras, tantas seguidas que perdi a conta. E depois já só sai bílis e ele fica pálido. E depois vamos ao hospital e pelo o caminho paramos várias vezes para ele vomitar. E no hospital enquanto esperamos vomita vários sacos. E estava imensa gente. Tantas crianças. E quando muitas horas depois nos atendem estava fraco, desidratado. Tem sede mas não aguenta a água nos lábios. E fica em observação e fazem análises, e recebe muito soro. Muitos sacos. E continua a vomitar. E depois vem a febre. E a diarreia. E cada vez que tenta beber água ou comer uma bolacha vomita. E passa um dia inteiro e é internado. E todos no hospital são simpáticos e queridos, e o quartinho é lindo e tem bonecos nas paredes, mas não é a nossa casa e nós queríamos estar em casa. Ainda há pouco tempo a mamã estava no hospital, ele diz às enfermeiras. Diz que sou a pessoa que mais ama no mundo. Quer mimo. E é verdade ainda agora nos tínhamos reunido e já estamos separados de novo. E eu divido-me entre ele e a irmã que está no carro e que vou amamentar de 3 em 3h. É uma gastroentrite viral que atacou forte e feio. É contagioso. Cada vez que saio e entro desinfecto-me toda. Foi duro. Mal dormimos por estes dias, mal comemos. Mas o pior é o sentimento de impotência que como mãe senti, a vontade de tomar as dores dele. 

Obrigada mãe, uma vez mais, pela disponibilidade, pela entrega mas sobretudo pelo carinho que também lhes tens. Quem meus filhos beija minha boca adoça. 

Às enfermeiras e médicos do Hospital de Cascais um grande bem-haja. Profissionais meigos e atentos que nos trataram tão bem, a diferença entre um emprego e uma vocação. E aos Dr Palhaços que nos animaram no dia mais cinzento que passámos no SO, obrigada por o fazerem sorrir. Até parece que dói um bocadinho menos. Ficámos impressionados com as condições, dos quartos, às salas de apoio, leitura, brincadeira, diz que até há cinema aos Sábados. Deixámos um brinquedo nosso para outros meninos e para trás a memória de um 25 de Abril que não foi bem o que nós esperávamos.