14.9.11

Cultura e Inspiração

Imagem do programa da Casa das Histórias em festa da Vogue

Sinto-me muito inspirada ultimamente e não apenas pelo que é bom e bonito, as sombras, as caras feias, as fotografias antigas e desfocadas também me inspiram. Encontrei inclusivamente umas «Tertúlias para Noites de Insónia» na Casa das Histórias da Paula Rego sobre o Feio e o Grotesco, e em como a Arte não tem necessariamente de ser bela (entendendo aqui o belo enquanto bonito na nossa acepção mais tradicional da palavra) nas quais gostava de participar. 

Entretanto vi que a Casa das Histórias vai estar em festa este fim-de-semana, com palhaços, histórias, marionetas, e muitas outras actividades giras e gratuitas, para adultos e miúdos.Conheça aqui o programa. 

Ultimamente saio com a máquina fotográfica em punho logo pela manhã quando vou despejar o lixo. Vejo tudo como se fosse uma criança, pela primeira vez. Não interessa interpretar, interessa captar. Será que se adivinha pela lente o que sinto ao ver certas imagens? Todas as pessoas conseguem perceber a ternura de ver um bebé a dormir ou a rir às gargalhadas, mas as respectivas mães sentem-no com maior intensidade. Gosto imenso de ver os agricultores entusiasmados com a lavoura, quando saio de casa e chego a casa, nas hortas aqui ao pé. Sinto-me feliz de os ver felizes porque compreendo esta alegria. 

Curiosamente, comecei a ler «A cidade e as Serras» do Eça. Tenho-me rido imenso com o livro, de noite. Acho aquela escrita jocosa de época fascinante. Adoro este escritor e a maneira como ele brinca e caracteriza as personagens e adoro o tema, a dicotomia entre cidade, civilização e cultura versus campo, modos rudes, e ignorância, entre aquilo que é aprendido e aquilo que se sente. Jacinto, o sortudo apelidado de Príncipe da Grã-Ventura acha que o homem longe da cidade fica mais bruto e infeliz, já o seu colega José Fernandes apesar de não concordar de coração, vai concordando tacitamente. A ver vamos onde isto vai parar. Sinto que tem tudo a ver comigo este livro, e se eu acreditasse nessas coisas, até diria que foi o livro que me escolheu a mim  ;). 

E vocês também acham que só somos verdadeiramente felizes na cidade e perto da cultura? Ou acreditam que a cultura pode estar em qualquer lugar? A meu ver é sempre positivo ter o melhor dos dois mundos, porque é no meio que está a virtude.

2 comentários:

Ana P. disse...

Adorei esse livro Vanessa! Recomendo-te fazeres um passeio depois por essas zonas. Eu fiz o Caminho de Jacinto nas ferias que tive em Abril e adorei (tenho fotos no blog). Beijocas

Vanessa Casais disse...

Temos gostos parecidos. Ainda não sei de que passeios falas mas lá chegarei certamente ;).

Postar um comentário