Fazer o enxoval não é coisa do passado, é um costume antigo que devemos recuperar porque cumpre simultaneamente dois propósitos, o simbólico, da projecção que antecede a concretização pessoal de determinado objectivo ou meta, e o financeiro, uma vez que permite uma melhor gestão das despesas. O enxoval permite a diluição de uma determinada despesa «mais pesada» no tempo, permitindo-nos viver sem sobressaltos nas alturas mais críticas.
Durante a minha gravidez fiz um enxoval para o Afonso absolutamente gratuito e apenas nos últimos meses investi no que me faltava. Fi-lo por receio, pois já tinha sofrido uma perda gestacional e desta forma adiei as compras o mais que pude. No entanto fui fazendo um enxoval com base em passatempos, amostras e roupinhas herdadas pela família, que ia lavando e guardando com carinho, cumprindo o ritual apaixonado comum a todas as mães, nos meses que antecedem a chegada de um filho. Ao fim de poucos meses, tinha caixotes cheios, de fraldas, pomadas, brinquedos, discos de amamentação, biberões, chuchas, a estrear e sem gastar um único tostão. O único dinheiro que ia gastando era em revistas para me entreter a ler e para concorrer aos passatempos. E li muito e concorri mais ainda.
Já depois do Afonsinho nascer iniciei um enxoval escolar, feito à base de prémios de passatempos, ofertas e amostras, que tem vindo a crescer e que não tardará a ser estreado.
Por isso aqui fica um conselho para estes tempos de crise faça um enxoval!













