14.1.14

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Imagens Oeiras Parque

Porto


Fui ao Porto há muitos anos atrás. Fiquei em casa de uma prima e diverti-me bastante apesar do momento que vivia. Era muito jovem e ainda não sabia o que hoje sei, senão teria provavelmente aproveitado mais. Sofria pelo final de um namoro mais longo que muitos casamentos. Apanhei o comboio Intercidades em primeira, tive direito a auscultadores e a uma viagem confortável num momento pouco confortável mas que guardo com carinho. A minha prima e o filhote trataram de me animar. Comi francesinhas, almocei na zona Ribeirinha, visitei as caves, o museu Serralves, muitas igrejas e monumentos e comigo trouxe o mais importante sintoma de uma viagem bem sucedida, o desejo de voltar um dia.

E esse dia chegou, uma viagem que foi uma mistura entre trabalho e lazer. Gostei do Sheraton, e de fazer uma hora de exercício num ginásio fantástico para descomprimir de três horas de viagem. Depois da reunião, jantámos na Alfândega. No dia seguinte almoçámos uma francesinha e visitámos Serralves. E é curioso como os momentos menos óbvios validam o que sentimos. Sinto-me sempre desconfortável em partilhar arte com alguém. Contigo comunguei.  

Depois do nevoeiro o regresso a casa, e de novo aquele sintoma persistente, o da certeza deste desejo de querer voltar um dia.

9.1.14

Um género de balanço


Nos balanços como na vida acabamos por valorizar as partes boas e apagar involuntariamente as menos boas. Este exercício comove-me sempre por resumir em poucas linhas o que vivi num ano inteiro.
Este ano foi um ano marcadamente difícil e verdadeiro, mas, e também por isso mesmo, um ano vivido intensamente. Tenho aprendido da forma mais complicada o quanto custa ser feliz. E embora consiga centrar as minhas emoções no essencial e fazer concessões, às vezes é-me extremamente difícil, sobretudo no que diz respeito ao Afonso. A guarda está longe de funcionar de forma perfeita não obstante os meus esforços. Os últimos dias do ano foram assim. Espero que o novo ano lhe traga a sabedoria de pensar no melhor para o Afonso e que nos traga a todos um ponto de equilíbrio que funcione.

Este foi sem dúvida um ano de batalhas difíceis, uma das quais ainda não sei se ganha. Expectante em relação à evolução. Gostava muitíssimo de concretizar este sonho.

Foi também o ano em que apanhei mais aviões e mais viajei cá dentro e lá fora. Foi o ano em que conheci o Peru e a Colômbia e me apaixonei por Corto Maltese num Expresso tipo «Oriente». Foi um dos anos em que li mais e em que descobri grandes autores. Guardo com carinho Carlos Ruiz Zafón. Renovei com alma esta paixão de ler. Foi o ano em que me convidaram para ir à SIC falar do meu livro. Foi também o ano em que descobri verdadeiramente Hitchcock (e ainda tanto por descobrir) os cameos, as musas, os filmes mais antigos e os mais recentes e o denominador comum - o génio. Descobri também que adoro coco e anchovas, e que o chá é a melhor bebida no Verão ou no Inverno, mas sem excessos.

Este foi também o ano em que a nossa família cimentou e cresceu. Em que este amor que encontrámos fez todo o sentido. Foi o ano em que reconstruímos algumas coisas, fizemos um ginásio e algum exercício (não tanto como gostaria) e participei em (apenas) uma corrida. Foi um ano em que os meus amigos foram a minha segunda família e em que por isso mesmo algumas mudanças me custaram como minhas. Em 2013 abracei a minha querida Juliana de novo e matei saudades. E terminei o ano ao pé de algumas das minhas pessoas mais importantes, e sempre perto do meu melhor amigo.

Neste ano vi o meu filho crescer tão depressa, sair da cama de grades e aprender a fazer tantas coisas sozinho. Já escreve o seu nome, já conhece as letras, já sabe contar. Já pinta dentro dos traços e usa todas as cores do arco-íris. Ri às gargalhadas todos os dias, mas também já faz muitas birras para levar a dele avante. É o menino mais meigo e doce e o maior beijoqueiro que conheço, mas os meus beijinhos só podem ser para ele. É muito ciumento da mãe e não me divide com ninguém. Adora a minha sopa e as minhas massagens, adora brincar aos Legos e no computador, e é o maior fã da sua idade de Star Wars desde que no Natal passado comprámos um boneco à outra «criança» lá de casa. Teve pela primeira vez uma festa de anos com os colegas da turma dele das Turtles. Adora que lhe leiam histórias e não vai para a cama sem uma. Por ele passava o dia aos saltos. Tem mau perder mas não se importa de dividir ou partilhar. Tem duas crianças que adora de paixão, o mano Manuel e a Mafaldinha. Este ano fomos a alguns museus, ao teatro, ao cinema, à praia, andar de patins na neve falsa, e de prancha de surf (pequenina) na piscina. Saltámos em insufláveis (eu também com ele), fizemos experiências, bolos, plasticinas e pinturas. Todos os dias o acordei com um bom dia alegria e o deitei com um beijo até à lua. E se de manhã tomámos o pequeno-almoço abraçados a ver desenhos animados, à noite só adormeceu de mão dada à minha. E se já vai aprendendo com os seus erros, o certo é que os beijos da mãe continuam a curar tudo.

Que em 2014 eu tenha a força e a coragem de ultrapassar com a mesma garra as adversidades, amar muito e ser feliz. Este ano que passou sei que fui a mulher que sempre desejei ser – super-mãe, mulher apaixonada, corajosa, forte, aventureira e destemida (q.b. que Matchu Pitchu é alto como tudo!!!).

2.1.14

Pausa



Mesmo antes de acabar o ano, naqueles dias que custam mais a passar, uma pausa planeada. Gosto disto, gosto tanto. De como precisava desta fuga e de como uma noite de neblina e frio não fazia antever um fim-de-semana quente e de sol. Dormir num museu cheio de histórias. Um convento que vai ficar para sempre e onde espero voltar. Pessoas que adorei conhecer. O Engaço com os seus «pastéis de massa tenra e esparregado». A comida alentejana e as migas, e um quilo teimoso a instalar-se. Um presépio e as duas figuras que trouxemos para o nosso, os chás 100% nacionais e biológicos, o mel. Os azulejos mais bonitos, as histórias, os quadros da fundação, os museus, a leitura em dia.

E sobretudo a tua mão fechada que sempre me segura quando é preciso. 

27.12.13

O essencial


Há um tempo para parar e dedicarmo-nos de corpo e alma a uma causa. São momentos duríssimos revestidos de sentimentos fortes, pungentes. Ficam apurados os sentidos, reservam-se as forças para o essencial. E o essencial oferece-se vestido de uma simplicidade que tantas vezes, noutros momentos da nossa vida, nos escapa. Amar e ser feliz. Perdemos demasiado tempo com o acessório nesta vida, distraímo-nos, descentramo-nos, adensamos novelos de más escolhas e vamos dando nós para disfarçar. Voltar atrás é demasiadas vezes complicado demais. Não deveria ser.

O Natal passado foi o primeiro nesta nova condição, para mim e para o Afonso. Não foi um Natal fácil por tantas coisas, mas nem por isso foi menos bonito. Como explicar o que sente? Fizemos a árvore ao som de um disco fabuloso, encontrámos prendas lindas, perfeitas e muito sentidas, fizemos pela primeira vez o peru, fomos pela primeira vez à missa do galo. E apesar de estar quase tudo de pernas para o ar na minha vida, estava tudo, pela primeira vez, no sítio certo. E por isto tudo o Natal passado foi estranha e curiosamente o Natal mais feliz da minha vida. Este ano foi o primeiro Natal a cinco. Foi um Natal mais calmo apesar da casa cheia. Por tantas razões um natal mais simples e de paz. 

Este ano a nossa tradição repetiu-se (basta um ano para nascer uma tradição), peru na consoada e missa do galo a seguir. O tempo chuvoso do dia deu lugar a uma noite serena, e lá ouvimos juntos uma estóica meia hora de missa, que aos miúdos já não se pôde pedir mais. Neste natal por tantas razões agradeci, e neste momento, ao contrário de tantos outros na nossa vida, valorizei o essencial, o mesmo que tantas vezes nos escapa. Amar e ser feliz.

23.12.13

Coisas de Natal


Depois de um Sábado cansativo, um Domingo caseiro para recuperar energias e descansar. Os miúdos fizeram desenhos de Natal para decorar a cozinha e ajudaram-me a fazer o centro de mesa e a coroa de Natal para a porta. 

É bom manter as minhas tradições, as que fazem sentido e adaptá-las a nós os cinco. O Afonso adora ajudar-me e a Mafalda vibra imenso com tudo o que sejam trabalhos manuais. É bom recriar as tradições que iniciámos há um ano, o peru, a missa do galo. É giro ver como todos estão à sua maneira ansiosos pelo dia e falam nestas coisas. Mas é bom sobretudo estarmos juntos, sentir a casa vestida para a quadra, com cheiro a biscoitos, com músicas de natal no gira discos e este amor que só cresce entre nós. 

Vila Natal


Ganhámos quatro bilhetes para a Vila Natal com aquele pai-natal que os miúdos pintaram do Rik e Rok, e no Sábado lá fomos rumo a Óbidos logo depois do Inglês do Afonso. Na cesta levámos um piquenique para não gastarmos tempo com o almoço e assim comemos durante a viagem. Também levámos lanche e ainda bem, porque não nos lembrámos de levantar dinheiro fora da muralha e no evento não havia multibanco. O dinheiro que tínhamos ainda deu para algumas diversões e os miúdos lá fizeram a festa, sobretudo na parte do gelo. Viram póneis, ovelhas, falcões e águias. Viram o Pai-Natal, duendes, biscoitos de gengibre gigantes, visitaram quase tudo o que havia por visitar e no final do dia chegaram felizes e cansados a casa. 

Festa de Natal

Adoro as Festas de Natal do externato do Afonso, muitos pais, muitas crianças, um palco digno de gente grande e um auditório a condizer. Gostava no entanto que tivessem mais diálogos que são sempre tão engraçados. Faz-me lembrar os meus tempos de escola. Tínhamos fatos feitos pelas professoras também e uma série de acessórios comprados em listas pelas mães. Tínhamos sempre um presépio vivo, cantigas, danças e poemas recitados. Recordo-me que uma vez um menino levou uma ovelha de verdade para o teatro. Foi o cabo dos trabalhos fazerem-na subir ao palco e depois ela assustou-se e foi uma rambóia a peça toda. Nós costumávamos fazer a festa de Natal no palco da SMUP, que acabou de ser reinaugurada na Parede, já o externato do Afonso elege o auditório dos Maristas de Carcavelos.

Na festa do ano passado o Afonso foi vestido com uma fatiota de homem das cavernas e tocou tambor com um osso gigante. Este ano foi vestido de boneco de neve e cantou e dançou com uma enorme graça. O ano passado era o primeiro ano dele na escola e eu para o motivar e para ele não ter medo combinei que levaria uma bandoleta de rena para ele me ver do palco. Eu não fazia ideia que era tanta gente, e ele não viu a mamã mas achou graça ao conceito. A moda pegou e este ano tive de repetir.

No final da festa lá fui buscar o meu jovem artista que vem sempre exausto para casa, cansado de um dia de festa rija e eu fico sempre de coração cheio e a transbordar de orgulho.