29.1.16

Tão diferente

Créditos Rosa Vilas

São tantas as diferenças entre esta gestação e anterior. Não apenas porque vou ter uma menina, não apenas por ser contigo, não apenas por já termos (os dois juntos) três, mas também por tudo isto. 

Tenho literalmente metade do peso da gravidez do Afonso, não fiquei com diabetes gestacional, sinto-me mais tranquila (apesar das hormonas) porque já sei ao que vou. Mas apesar de tudo isto a barriga é maior, muito maior e empinada do que na anterior, e já pesa e já custa a arranjar maneira de dormir e ainda faltam três meses de caminho.

Sinto-a desde as 12 semanas e tanto como nunca senti o Afonso. Ela interage, brinca comigo quando coloco a mão na barriga ou falo com ela, ou tu, ou o Afonso. Sinto que já nos conhece. E quando falamos com ela dá um pontapé e até foi assim que ajudou a escolher o seu nome. 

Nesta gravidez as únicas coisas que me preocupam são a falta de tempo para chegar a todo o lado, tratar de tudo com calma e tempo e a falta de espaço. Sim, esta casa em tempos foi grande para três, mas depois passámos a ser cinco e agora vamos ser seis. A família duplicou mas o espaço manteve-se igual. A mesa de jantar sempre foi pensada para uma família numerosa, com os seus oito lugares. E eu prefiro assim quando sobra e ainda nos resta espaço para crescer. Não gosto deste exercício que somos obrigados a fazer para encaixar mais um roupeiro. 

E enquanto procuramos o carro para famílias numerosas, decidimos qual a empresa em que iremos fazer a crio-conservação, combinamos a sessão fotográfica e a sessão de pintura, e ultimamos preparativos para um chá do bebé e para a tua chegada, sinto que o tempo urge, que já me falta e que talvez não esteja a aproveitar da melhor maneira. É que é tão bom assim, ter-te sempre comigo e sentir-te aqui abrigada e segura e tão perto do meu coração. 

27.1.16

25 semanas


O Carlos estava a recuperar um roupeiro antigo muito giro no anexo. Mas quando decidimos medir verificámos que tem 2 metros e qualquer coisa pelo que não iria caber no quarto do Afonso. Quando comprei esta casa ela parecia bastante grande para três. Algum tempo depois do divórcio a minha família aumentou exponencialmente, ganhei duas enteadas que adoro mas perdi um quarto extra. Neste momento a família vai crescer ainda mais e parece que o espaço é pouco para tantos. O Afonso deverá dividir o quarto com a irmã, por enquanto o berço dela está no nosso quarto e apenas o roupeiro ficará no quarto do mano. Depois de excluirmos a outra hipótese decidimos recuperar um do quarto do Afonso. O Carlos reforçou-o por trás com madeira pois estava a abrir, eu forrei-o por dentro com tecido autocolante nas cores do quarto mas com um padrão mais feminino e arranjámos um módulo de gavetas que juntamente com o varão e as cinco prateleiras laterais servirão para as roupinhas da princesa. 

Os irmãos mais novos também quiseram participar na montagem, embora por vezes a (des)ajuda atrapalhe mais do que ajude. O Carlos trocou ainda o candeeiro do nosso quarto e concertou o do quarto dele. O Afonso aproveitou para colocar o abajour na cabeça e inventámos uma máscara de Carnaval original. «Mamã puxa o fio.» e depois acendia a lanterna e fingia que era um candeeiro. 

A minha mãe trouxe miminhos o livro das melhores receitas da revista Bimby e um conjunto de agulhas de crochet. Ensinou-me esta semana a fazer rosetas e inspirada na manta da prima Lena já comecei uma nova. 

15.1.16

24 semanas


A barriguinha continua a crescer para a frente No ultimo mês deu um grande salto e ainda faltam três meses. Temos aproveitado as feiras dos bebés para comprar o que faz falta, fraldas, toalhitas, soro, esse tipo de coisas e os saldos para compor o enxoval.

Nos fins-de-semana sem miúdos vamos a formações e vimos sempre cheios de miminhos para ela. Esta semana também recebi um creme Mixa para experimentar de uma campanha #youzzer. As primas mandaram miminhos para a bebé e eu comprei uns sapatinhos que são um amor. Do escritório recebi um livro sobre as mulheres executivas que estou curiosa de ler.

O Afonso está sempre a inventar e embora já me comece a sentir mais cansada, tenho dificuldade em ralhar com ele porque os seus disparates me dão vontade de rir. No outro dia em vez de entrar para a banheira enfiou-se dentro do cesto da roupa suja. Quando chega do fim-de-semana do pai enche-me de beijos na barriga e fala com a mana como se ela o ouvisse. Às vezes à noitinha quando lhe leio a história ele coloca a mão na minha barriga para sentir os pontapés. Acho que ela é fã daquele momento. 

13.1.16

Ano novo, vida nova


O ano começou com o pé direito. O Afonso foi à consulta de oftalmologia, está a desenvolver bem a visão estando já próximo da normal com óculos apesar do aumento das dioptrias. Algumas coisas que faz na escola como começar a escrever a direito e ir levantando a letra no ar, carregar com mais força no lápis ou mesmo escrever letras ora muito grandes ora muito pequenas são derivadas dos seus problemas de visão mas tudo pacifico de resolver. Perto do consultório perdemos a cabeça com os saldos na loja Os Patinhos. Isto de estar grávida de uma menina na altura dos saldos é uma desgraça. 

O tempo em casa tem sido bem aproveitado. Chove e está frio mas os miúdos entretêm-se muito ainda com as prendas de Natal. No primeiro fim-de-semana do ano fizeram sabonetes e velas com uns kits da Science4You que a tia Sara deu. A Mafaldinha fez um sabonete para a professora que tinha feito anos e outro cá para casa. As velas do Afonso também já estão em uso. Ele vai dando uso à criatividade, no outro dia fez uma tatuagem com uma caneta na perna a dizer (I L V +) que segundo ele quer dizer (Eu amo muito a Vani). É impossível não me derreter com as declarações de amor que me faz e os mimos e beijos que me dá. Que nunca mude.

Do Starbucks trouxemos de oferta sacos de borras de café para fertilizar a terra. As plantas parecem ter gostado. A Fisher-Price enviou um miminho para a bebé por termos participado na campanha Mães Fisher-Price. 

12.1.16

Balanço


Revi mentalmente o meu ano e esqueci-me de tantos momentos. Só ao passar em revista o blog me consegui recordar de tudo. O Limão é o melhor e mais completo álbum de fotografias e recortes que temos. Adoramos revê-lo, sobretudo em anos assim, tão bons, tão completos e com tantas emoções. Que ano!

Foi o ano em que participei pela segunda vez numa Antologia de Poesia. Em que adoptámos bichinhos de seda e o canário Xico. Em que o Afonso mudou para o cinto amarelo-laranja, teve a festa de anos dos super-heróis; ficou desdentado; foi finalista da pré e entrou para a primária. O ano em que começou a ler comigo à noite. Foi o ano em que concretizei este sonho de estudar Mandarim e tive 194 no exame HSK1 e em que tratei mais de mim. Foi o ano em que ganhei coragem e fiz uma tatuagem. Foi o ano em que o Carlos foi operado, em que o meu pai e a mãe dele nos deixaram o coração apertadinho e onde ganhámos a certeza que o amor dos filhos é incondicional como o dos pais. Foi o ano em que resolvi o segundo maior erro da minha vida e o ano em aconteceu o meu (nosso) milagre. Foi o ano em que navegámos no Tejo no Teimoso; subimos ao Arco da Rua Augusta; fomos a vários festivais de cinema; teatrosexposições e fizemos experiências

O ano onde não viajámos para fora (a vida trocou-nos as voltas) mas voltámos a viajar muito cá dentro com e sem miúdos: Santiago do Cacém; Luso; Montargil; PenelaAlgarve; Vila Franca Xira e em que fomos turistas na nossa terra LisboaEstoril.

Este ano superou quaisquer expectativas que tivéssemos, surpreendeu-nos e arrebatou-nos. A vida pode ser tão maravilhosa quanto quisermos e com alguma ginástica financeira, muita criatividade mas sobretudo com um forte desejo a ditar os nossos passos, qualquer coisa é possível.

O que retiro destas imagens e deste balanço é uma aprendizagem. Que eu tenha sempre a coragem de fazer o que mais desejo, para que não deixe nesta vida nada por fazer do que realmente quero. Que eu tenha a sabedoria de escolher as minhas batalhas. Que há problemas que se resolvem com dinheiro de forma tão fácil e outros que dependem da nossa persistência e paciência. Que há pessoas e coisas na vida que não merecem que percamos tempo com elas. O que fica sempre, o que recordamos e ao que voltamos são os braços de quem nos é tão querido, a família e os amigos. Reforçar no ultimo dia do ano esta certeza que te segredo e que conheces de cor de que o segredo das coisas boas é o amor.